"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O MUNDO PERFEITO



Você é encarregado de preparar um determinado projeto. Em verdade, você mesmo candidatou-se à tarefa, pois conhece o assunto como poucos e está certo de que poderá contribuir com sua equipe. Assim, bastariam algumas horas de transpiração diante da tela do computador para produzir uma primeira versão do documento que seria apresentada aos seus pares propiciando debates e a elaboração de uma versão posterior, mais densa e melhor estruturada.
Todavia, seu nível pessoal de exigência impede-o de redigir uma proposta sem antes promover todo o  trabalho de pesquisa para embasar sua tese.  Mas pesquisa demanda tempo e o tempo é a matéria – prima mais escassa do mundo moderno.  Passa-se uma semana, duas, um mês.  O projeto não sai de seu pensamento e não vai para o papel. Você se angustia, perde o prazo e a credibilidade com seus colegas. E consigo mesmo!
O exemplo acima pode representar um projeto profissional. Pode também ilustrar um trabalho acadêmico ou mesmo uma ação filantrópica.  O fato é que em qualquer um dos casos o desejo de fazer o ótimo dilacerou a possibilidade de fazer o bom. Ao final, nada foi concretizado, o que significa um resultado péssimo.
Convido você a fazer igual analogia com outros sonhos que já visitaram suas noites em vigília. Livros que não foram escritos, musicas que não foram compostas, poesias que não foram declamadas. Uma intervenção necessária durante uma reunião que foi contida por falta de ousadia. Uma declaração de amor reprimida porque você ainda não se sentia preparado.
Temos o mau hábito de esperar pelo mundo perfeito para tomar decisões. É como se decidíssemos cruzar a pé uma movimentada autoestrada apenas quando todos os veículos parassem para permitir nossa passagem, sem a existência de qualquer sinalização que os obrigasse a tal ação.
Enquanto buscamos e ansiamos por este mundo perfeito, outras pessoas fazem o que é possível, com os recursos de que dispõem, dentro do tempo que lhes é concedido. E não raro acabam sendo bem sucedidas. Então, ao observarmos  o conteúdo de suas  produções, colocamo-nos imediatamente a criticá-las, certos de que poderíamos ter alcançado um resultado muito mais satisfatório. Nós pensamos, eles agiram.
Observe como muito pode ser feito usando de pouco tempo e de muita simplicidade. Muitas vezes basta um telefonema de alguns minutos para dirimir uma duvida, prestar um esclarecimento, obter uma dilação do prazo. De igual maneira, um e-mail redigido em uma fração de segundos pode aquietar o espírito de seu interlocutor e sepultar o risco de um desentendimento.  Agradecimentos, por sua vez, devem ser prestados o quanto antes, ou tornam-se inócuos.
Um livro pode ser escrito de uma só sentada ou capitulo a capitulo, dia após dia. Uma musica pode se composta num guardanapo de papel na mesa de um bar ou nas bordas de uma folha de jornal que repousa em seu colo.
          O TEMPO NÃO PARA, O AGIR É AGORA!
                                                             (Tom Coelho, educador, conferencista e escritor)


sábado, 10 de novembro de 2012

CHIDNERIS 7 - CHID NO LAGO



https://www.facebook.com/media/set/?set=a.525782040782719.131796.100000527826569&type=1


“Chidnéris é rir até doer – e não existe dor melhor. Chidnéris é o sol, a chuva e o arco-íris – é um céu onde as estrelas estão a vontade conosco, onde os motivos pelos quais se escondem não fazem mais sentido. Chidnéris é quando deixamos um lugar para trás mas parece que nascemos de novo, porque agora fazemos parte de uma outra família. Chidnéris é uma vila,  uma comunidade, uma camiseta – uma bandeira. Chidnéris é dizer tchau, mas nunca adeus”.  Marcus

Finalmente! Depois de 04 meses a festa aconteceu, uma festa que nasceu pequena, apenas para um pequeno grupo de amigos, e que se tornou esta coisa grandiosa, grandiosa nos sentimentos, grandiosa na mistura de pensamentos, na reunião de cores, na reunião de pessoas que aos poucos foram se chegando e agora fazem parte deste universo mágico.
Confesso que quando o Tom começou a frequentar este tipo de festa fiquei um pouco arrepiada. E pensava: que festa é essa que começa num dia , atravessa a noite e só acaba quando o sol se põe no dia seguinte! Cuidado! Fique longe de confusão e de drogas! Depois, colocava meu coração na mão porque ali eu podia cuidar melhor dele e torcia pra que chegasse logo o dia seguinte pra ele voltar pra casa são e salvo! Quantas roupas encardidas e quantos tênis cheios de barro!
Aos poucos fui indagando, conhecendo, pesquisando e La foi ele para o maranhão em um tal FESTIVAL FORA DO TEMPO! Quase 10 dias sem noticias, sem saber o que estava acontecendo, porque imagina se algum celular ia pegar naquele fim de mundo. E foi de lá que ele voltou com ideias novas, com novos amigos, amigos que ficarão para sempre, porque só fica pra sempre aquilo que vc cativou e quem foi cativado!
Foi lá que nasceu CHIDNERIS, de uma bricandeira entre pessoas que nunca haviam se visto antes! Um grupo de jovens com o mesmo ideal e com a mesma alegria de viver! Então, como explicar o que significa esta palavra que se transformou num sentimento e sentimentos sendo abstratos, não se explicam, apenas se sente!
E assim é esse encontro que hoje reune tantas pessoas, de todas as raças, de todas as cores, de todas as nações! Magia, beleza, dedicação, amor, dias e noites de expectativa, de olhos cansados, de pensamentos longe, de gestos apreensivos, de coração inquieto.
O que eu tenho a dizer para vcs, meus queridos filhos Tom Chillin, Aryela de Carvalho, Felipe Frezza, Leandro Zucco...que tenho o maior orgulho desta garra com que voces trabalham pra que tudo saia perfeito! Noites e dias de trabalho incansáveis, para que tudo aconteça no mais perfeito equilíbrio.  E Entre erros e acertos, tenho a certeza absoluta de que os acertos superam quaisquer erros que por ventura aconteçam. Eu sei o quanto é difícil os bastidores!
E nós, a nossa família só temos a agradecer por nos  deixarem fazer parte deste pedacinho do sonho de vocês.

E agradecer também a todos aqueles que acreditaram em vocês, nossos filhos chidnerianos queridos, espalhados em todos os cantos, por todos os lados de uma festa impar, cheia de luz, de amor e principalmente, de paz!
Obrigada a todos pelo sorriso, pelo abraço e pelas palavras de carinho com que nos receberam!
Aos novos amigos, Millos, Drasko e Nerso que vieram de tão longe e com toda a certeza deste mundo, deixaram aqui a certeza de que não existe fronteiras, de que para amar uma pessoa não é preciso uma vida inteira, mas apenas olhar uma vez nos olhos! A partir dai descobrimos que não tem volta,  que é para sempre! Deixaram saudade, mas também deixaram a certeza do reencontro! Sato, Lauro Medeiros, incansáveis com seus clicks, registrando todos os momentos, todos os  sorrisos possíveis, expressões de felicidade plena! Verdadeiros fotógrafos da alma! Obrigada!
E vocês, meus queridos organizadores, por muitos momentos vi seu  olhos cheios de  ansiedade, apreensivos,   mas tudo isso faz parte do aprendizado, e tenho a certeza plena e absoluta que a semente que plantaram já está germinando e florescendo.  Aconteça o que acontecer, nunca desistam de alcançar aquilo que planejaram. Nunca desistam pelas  pedras que encontram, porque como já disse o poeta, as pedras que  encontrarmos pelo caminho, guardamos todas, para um dia construirmos um castelo!
O sonho realizado  a sensação do dever cumprido é o maior bem que podemos ter e sentir!
Amo, amo muito, recebam o meu abraço forte e o meu apoio sempre que precisarem!
A alegria que vocês levam não tem preço!
Um beijo grande em cada coração!
A missão foi cumprida com perfeição!
                                                              Mamy’s Chids!

(compilação de fotos de vários autores, fiquem a vontade para colocarem seus creditos)



Casos do acaso...



                                                                                                          by Clelia Fagundes  

 Era um dia como outro qualquer!
Sai de casa bem cedo e caminhei lentamente ate o ponto de ônibus. Eram três paradas até chegar na minha tenda que ficava no centro da cidade.
 Já acomodada no banco (hoje consegui sentar) encosto minha cabeça no vidro da janela e com os olhos fechados me reporto ao dia anterior.
Tantas pessoas com uma dor diferente! Uns procurando auxilio para trazer a pessoa amada de volta, outros para arranjar um emprego e outros até para sarar a dor de barriga do filho.E era “reza” e pedido de tudo quanto é jeito.
De súbito uma lembrança que me atemoriza os sentidos!
Quando  no final do dia, corpo cansado, já pensando nos três ônibus que me levariam de volta pra casa, na jantinha junto com meu Zé, e no aconcehego do sofá pra ver a novelinhas das 9, levantei os olhos e me deparei com aquele homem olhando diretamente dentro dos meus!
O que ele queria?
Mal tive tempo para pensar e ele me perguntou:
- Dona, a senhora sabe curar a dor na alma?
Olhei espantada e tentando entender o que se passava, respondi:
- O senhor tem alguma preocupação?
-Não, eu so sinto uma dor!
-Desculpa moço, eu acho que o senhor deve procurar um medico. Essa dor eu não sei curar não....eu só dou conselhos que me sopram nos ouvidos...
Mas ele insistiu em me olhar fixamente!
-Não encontrei o remédio, Dona, por isso vim aqui, pra senhora me ajudar!
-Desculpa moço, por favor, eu não sei como lhe ajudar
E mantendo o meu olhar fixo no dele, senti um arrepio percorrer por todo o meu corpo!
Aquele homem me dava medo, parecia que tinha um buraco escuro dentro dele tamanha era a solidão que eu via dentro de sua alma!
Que dor era aquela que medico nenhum tinha o remédio?
E eu, na minha humilde e insuportável ignorância, que só sabia fazer rezar não podia encontrar a palavra certa para dizer a ele eu não tinha remédio para ele.
- Tudo bem Dona?!??
-Adelaide! Pode me chamar pelo nome.
 -Tudo bem Adelaide, a senhora pode pensar num remédio para minha dor? Eu posso voltar amanha?
- Moço, eu já disse , eu não sei tratar dessa dor! Quem sabe o senhor não procura ajuda de algum centro....por favor, eu preciso ir....
Ele entao olhou lentamente para mim, se virou e foi embora....
-Dona, dona....seu ponto chegou......
Me virei para ver de onde vinha esta voz e percebi que o tempo voou dentro daquele ônibus. Desci e caminhei vagarosamente para a minha tenda. 

continua...
Meu coração gelou.
Ele  estava ali, parado em frente a minha tenda!
Fechei a lona com as duas mãos e fiquei ali parada segurando e tentando encontrar um jeito de fugir daquele homem que insistia em sair dali comigo.
Olhei desesperada porque não tinha pra onde correr....pensei, então,  que por algum milagre divino, o chão pudesse se abrir e eu sumiria pra dentro dele.  Impossível, precisava pensar em outra saída....
E cadê o Zé que justo hoje resolveu atrasar???? Maldito Zé! Quem disse um dia que ele era um santo? Pois sim! Que de santo ele não tinha era nada!
Devia estar em algum boteco enroscado com alguma nega que sabia sambar. Porque aquele lá? Não podia ver um quadril requebrando que ele se achegava e não largava mais...Não fazia por mal, eu sei, era o maldito samba na veia!
Nunca que eu tivesse sabido que ele algum dia havia me traído com outra mulher, isso todo mundo podia jurar, mas com o samba? Ah com o samba foram infinitamente tantas vezes que eu até perdi a conta.
Era a cara dele fazer aquilo comigo!
Me deixar esperando eternamente por ele e o pior é que ele sabia que eu ia estar ali...
Mas justo naquela noite ele tinha que se atrasar? E eu...porque não me adiantei pra fechar a tenda mais cedo? Ai essa mania de fazer tudo certinho ....de achar que sempre vai chegar mais um e sairia mais doente ainda por ver a tenda fechada?
Um dia eu ainda largo ele!
Só Deus pra ter misericórdia dessa alma!
Alma?
O homem....parado ali do lado de fora....estava tão perto que eu podia ouvir a respiração dele por detrás da lona. E a minha....será que ele também estava ouvindo? Meu coração batia tanto que achei que tivesse que sair dali com ele na mão....
O que eu podia fazer?
Os minutos se arrastavam intermináveis e eu até pensei em fingir que não estava mais ali.
Mas ele sabia que eu estava!....e com a certeza absoluta de que eu podia curar a  dor da sua alma.
- Adelaide?
O que eu que eu faço? Minha Santinha Edevirges, o que eu faço? Se o Zé não chega vou ter que sair andando por essas ruas de São Paulo com um homem que quer curar a dor da sua alma! A minha experiência é aqui dentro...dentro da minha humilde tenda onde eu sou a rainha...
Mas La fora???? Naquele mundão de Meu Deus???? Eu fico tremendo só de pensar no que pode acontecer!
E ali...na minha aflição que já parecia durar uma eternidade, eu entendi a “dor de alma” daquele homem que a semana inteira veio na minha tenda a procura de remédio.....
A dor que ele sentia era a dor de quem estava só...
Soltei a lona devagar, minhas mãos estavam molhadas, todo meu corpo estava molhado....parecia que a tempestade do dia anterior estava saindo de dentro de mim....
A sombra daquele homem na lona....voltei para dentro da tenda , peguei uma fita K-7 do Vando.....e quando me virei para, enfim, sair com aquele homem e ajudar a curar a sua dor, ele já havia ido embora....deixando a sua solidão dentro de mim!.....
Naquela noite, talvez por uma brincadeira ou ironia do destino, o Zé não veio....
No céu, quase que sombrio, as estrelas cintilavam acanhadas....
Um vento gelado bateu em mim e eu senti um arrepio percorrer todo o meu corpo!
Na eqüina, via o dono do boteco me olhar, como quem me dizia, vem.....
Entrei, pedi uma cerveja , dei a K-7 do Vando pro dono bar colocar no toca fitas e ali....sentada num canto de mesa de um bar lotado....eu percebi...o quanto estava sozinha....
Na minha cabeça, uma pergunta....será que aquele homem voltaria???? 

(continua...


“ Moça...me espere amanhã....
Levo o meu coração ...pronto pra te entregar....
Moça ....moça eu te prometo...eu me viro do avesso
So pra te abraçar...”

Que desgraça de musica brega é essa que me faz congelar só de pensar?
Um arrepio percorreu por todo o meu corpo.....e a imagem daquele homem ainda atordoava a minha cabeça......chapéu meio de lado....olhar zombeteiro e um sorriso no canto dos lábios....
Na mesa......algumas garrafas de cerveja e um cinzeiro cheio de bitucas de cigarro......as pernas dormentes.....e uma tristeza tão grande que me impedia de agüentar com meu próprio corpo... pesada??? Talvez....
Quanto tempo havia se passado? Talvez duas, três, quatro horas????
Porque parecia ser uma eternidade????
Porque o tempo não passava como todos os dias?
De longe eu olhava a minha tenda.....o vento fazia a lona balançar....e novamente um arrepio percorreu pelo meu corpo.....
Será que ele voltaria?
Será que viria para me dizer que dor era aquela que ele enfiou dentro de mim?
Já não havia mais ninguém na praça.......o bar estava fechando e eu tinha que sair dali....voltar pra minha tenda.....porque naquela noite eu não conseguiria voltar pra casa...
Abri a lona e entrei.....parecia que eu era a única sobrevivente depois de um terremoto.....tudo bagunçado.....minha cabeça que não parava de pensar...
Sabia que precisava dormir um pouco e quem sabe...em meus sonhos eu não recolocaria tudo no lugar.....Então me deitei ali mesmo no chão  e adormeci......
- Adelaide?
- Sim......
- Vc ainda está ai?
- estou...
- Isso é um sonho?
- Não....
- Então porque não sinto mais a dor dentro de mim???
- Talvez seja porque ela nunca tenha existido...
- É....pode ser...
- Posso te perguntar uma coisa?
- pode...
- Porque vc se esconde de mim?
De novo o arrepio....dessa vez daqueles que congelam até a alma.....
- Eu não me escondo de vc....eu só não preciso de mais problemas na minha vda....
- eu sou um problema na sua vida? Mas vc mal me conhece...
- Por isso mesmo....se te conhecesse ia saber como me defender de vc!
- Tem medo de mim?
- Não....
- Então...
- Tenho de mim.....Olha moço....vc entrou na minha tenda.....pra curar a sua alma e levou a minha  pras profundezas do inferno que nem toda a reza do mundo vai poder trazer ela de volta....
- Eu não entendo.....não quero te fazer mal....
- Moço...o senhor não me fez mal nenhum......agora por favor....pode ir embora????
-Assim????
- Assim como, moço???
- Sem vc me dizer o que fazer?
Eu olhei pra ele.....por um instante vi meus olhos dentro dos seus....o tempo parou.....tudo estava quieto....nada se ouvia.....nada......só as batidas do meu coração.....e as do dele.....como num só compasso....e nós ficamos ali.....só nós dois e o nosso coração batendo junto....
Por quanto tempo??? Não sei.....Um raio de sol refletiu em meu rosto...me sentei confusa....o corpo doendo....a cabeça rodando.....aquela dor....a  noite anterior......o vazio......o nada!.....
Fechei os olhos......pra reconstruir minhas lembranças....
Só me lembro do seu sorriso...e da sua voz dizendo que eu tinha prendido a alma dele na minha......



                                                                                 continua.....


domingo, 8 de abril de 2012

FELIZ PASCOA!

Feliz Páscoa aos que desdobram a subjetividade, rompendo a casca do ego para deixar renascer a mulher ou o homem novo, e a quem se nutre de TV sem enxergar as maravilhas encerradas no próprio peito.

Feliz Páscoa aos artífices da paz que, entre conflitos, exalam suavidade, não achibatam com a língua a fama alheia, nem naufragam nas próprias feridas. E aos emotivos que deixam escapar das mãos as rédeas da paciência e nunca abandonam as esporas da ansiedade.

Feliz Páscoa aos que tecem com o olhar o perfil da alma e, no silêncio dos toques, curam a pele de toda aspereza. E aos amantes tragados pelo ritmo incessante de trabalho, carentes de carícias, que postergam para o futuro o presente que nunca se dão.

Feliz Páscoa a quem acredita ser o ovo portador de vida, sem que a fé exija que o quebre, e aos incrédulos e a todos que jamais dobraram os joelhos diante do mistério divino.


Feliz Páscoa aos que identificam as trilhas aventurosas da vida mapeadas na geografia de suas rugas e não se envergonham da topografia disforme de seus corpos. E a todos aqueles que, robotizados pela moda, se revestem de estátuas gregas carcomidas pela anorexia, sem se dar conta de que a mente mente.

Feliz Páscoa aos que ousam ser gentis e doces, sem pudor de abraçar o menino que carregam dentro de si. E aos afoitos, competitivos, turbinados e sarados, enamorados da própria vaidade, incapazes de suportar uma fila de espera.


Feliz Páscoa aos que sabem amarrar o seu burrico à sombra da sabedoria e jamais negociam a felicidade em troca de uma arroba de milho que, vista a distância, parece pepita de ouro. E aos idólatras do dinheiro, fiéis devotos dos oráculos do mercado, reféns de pobres desejos que, saciados de supérfluos, nunca alcançam o essencial.


Feliz Páscoa a quem abre caminhos com os próprios passos e cultiva em seus jardins a rosa dos ventos. E aos que colhem borboletas ao alvorecer e sabem que a beleza é filha do silêncio.


Feliz Páscoa aos que garimpam utopias nos campos da miséria e trazem seus corações prenhes de indignação, sem jamais olvidar o próximo como seu semelhante. E aos que, montados na indiferença, atropelam delicadezas, até que a dor lhes abra a porta do amor.

Feliz Páscoa aos que nunca fecham a janela ao horizonte, regam suas raízes e não temem pisar descalços a terra em que nasceram. E aos que se embriagam de chuvas, ofertam luas à namorada e fazem da poesia a sua lógica.


Feliz Páscoa aos colecionadores de araucárias, que enfeitam de sonhos suas florestas e, na primavera, colhem frutos de plenitude. E aos que brincam de amarelinha ao entardecer e desconfiam dos adultos exilados da alegria.


Feliz Páscoa aos que se repartem nas esquinas, distribuem aos passantes moedas de sol e, nada tendo, nada temem. E aos que, ao desjejum, abrem sua caixa de mágoas e recontam uma a uma, gravando nos cadernos do afeto dívidas e juros.


Feliz Páscoa aos que caminham sobre tatames e, por terem muita pressa de chegar, jamais correm. E aos navegadores solitários, pilotos cegos e peregrinos mancos, que se arrastam pelas trilhas da desesperança.


Feliz Páscoa aos políticos obrigados a inventar, para os outros, o futuro que não se deram no passado, e estendem sorrisos para mendigar votos. E aos que não se deixam iludir pela insipidez da política e nem atiram seus votos na lixeira do desinteresse, alimentando ratos.


Feliz Páscoa aos trovadores de esperanças, aos fazendeiros do ar e aos banqueiros da generosidade, que sabem tirar água do próprio poço. E aos que mantêm em cada esquina oficinas de conserto do mundo, mas desconhecem as ferramentas que arrancam as dobradiças do egoísmo.


Feliz Páscoa a quem sequestra o melhor de si, escondendo-o nas cavernas de suas mesquinhas ambições, sem coragem de pagar o resgate da humildade. E aos que nunca banem do espírito a presença de Deus e fazem da vida uma oração.

Feliz Páscoa às bailarinas fantasiadas de anjos que sobem, na ponta dos pés, a curva policrômica do arco-íris, e aos palhaços ovacionados que, no camarim, se miram tristes no espelho, vazios da euforia que provocam.

Feliz Páscoa aos que descobrem Deus escondido numa compota de figos em calda ou no vaga-lume que risca um ponto de luz na noite desestrelada. E aos que aprendem a morrer, todos os dias, para os apegos de desimportância e, livres e leves, alçam voo rumo ao oceano da transcendência. (frei Beto)

sábado, 28 de janeiro de 2012

"Um amigo verdadeiro a gente não conhece, mas sim REconhece"

Um verdadeiro amigo a gente não o conhece, mas sim Reconhece-o! Esse é o menino  do sorriso mais bonito que já vi! De coração puro e alma elevada. Pra estar perto não é preciso falar nada, só o seu sorriso e o seu olhar já dizem tudo! Um abraço seu é como um acalanto e essencial naquilo que mais necessitamos: a força para seguir lutando! Amei o presente que vc me deu, uma “Flor de Lotus, pela sua simbologia, de nascer num pântano e desabrochar na água a cada nascer de um novo dia, o renascimento sempre, independente do que nos aconteça. E é exatamente assim que somos, capazes de todos os dias nos transformarmos num lótus, e sempre, seja lá em qualquer momento for, capazes de vermos  a luz que bilha em nós e que nos guiará para àquilo que mais buscamos: a nossa paz interior. Sempre encontraremos a força e a sabedoria necessária a cada momento que nos sentirmos  fraquejar. Obrigada por este sorriso que nos envolve em ternura e amor, por fazer parte da nossa vida, por ter me escolhido como mãe do coração e por ser esta pessoa tão desprendida que você é! E por você ser assim, essa pessoa tão querida e amada, que te dedico um dos trechos mas bonitos do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry.
"....E foi então que apareceu a raposa:



- Bom dia, disse a raposa.


- Bom dia, respondeu o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.


- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...


- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...


- Sou uma raposa, disse a raposa.


- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...


- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.


- Ah! Desculpa, disse o principezinho.


- Após uma reflexão, acrescentou:


- Que quer dizer “cativar”?


- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...


...Mas a raposa voltou a sua idéia.


- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...


E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:


- Por favor... cativa-me! Disse ela.


- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.


- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa.


Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.


Se tu queres um amigo, cativa-me!


- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.


- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...


No dia seguinte o principezinho voltou.


- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...


... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:


- Ah! Eu vou chorar.


- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...


- Quis, disse a raposa.


- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.


- Vou, disse a raposa.


- Então, não sais lucrando nada!


- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.


Depois ela acrescentou:


- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.


Foi o principezinho rever as rosas:


- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.


E as rosas estavam desapontadas.


- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.


E voltou, então, à raposa:


- Adeus, disse ele...


- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples:


Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.


- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer:


Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Um beijo grande em seu coração.



sábado, 14 de janeiro de 2012

imortal

Qualquer distância entre nós
Virou abismo sem fim
quando estranhei sua voz
Eu te procurei em mim
Ninguem vai resolver
Problemas de nós dois.
Se tá tão difícil agora
Se um minuto a mais demora
Nem olhando assim mais perto
Consigo ver por que tá tudo tão incerto
Será que foi alguma coisa que eu falei?
Ou algo que fiz que te roubou de mim ?
Sempre que eu encontro uma saída
Você muda de sonho e mexe na minha vida
O meu amor conhece cada gesto seu
Palavras que o seu olhar só diz pro meu
Se pra você a guerra está perdida
Olha que eu mudo os meus sonhos,
Pra ficar na sua vida!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo.
Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais.
Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia.
Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero renovaçao no trabalho novo.
Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto.
Quero ter momentos de paz.
Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais.
Pensar mais e pensar menos. Andar de bicicleta. Ir mais vezes ao parque.
Quero ser feliz, quero sossego, quero uma tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva.
Preciso me concentrar mais, delirar mais.
Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais.
Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás.
 Quero olhar nos olhos do que e de quem me fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa.
Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa.
Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão.
Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais.
Quero menos “mas”.
 Quero não sentir tanta saudade.
Quero mais e tudo o mais.
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha". Fernando Pessoa

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

TEMPO!!!

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções!"



 

E quando você finalmente discar o meu número, ele estará ocupado demais ou nem será mais o mesmo, ou até eu nem queira mais te atender.

E se você bater na minha porta ela estará muito trancada, se aberta, mostrará uma casa vazia.

Seus olhos se encherão de lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto.

O nome do enjôo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome que virá chama-se tristeza.

Então quando os dias passarem e eu não te ligar, e ninguém te olhar com meus olhos encantados.

Você encontrará a famosa solidão.

A partir daí o que acontecerá, chama-se surpresa.

E provavelmente o remédio para todas essas sensações acima é o tal tempo em que você tanto falava…